Um olhar terapêutico a partir do EMDR e da Logoterapia
“O sofrimento de certo modo deixa de ser sofrimento no instante em que encontra um sentido, como o sentido de um sacrifício.”
(FRANKL, 2014, p. 135)
Essa reflexão de Viktor Frankl acompanha frequentemente o meu trabalho clínico. Ao longo dos atendimentos, percebo que muitas pessoas chegam à terapia não apenas sofrendo por aquilo que viveram, mas também pela sensação de que suas experiências dolorosas não têm significado ou lugar em suas histórias.
O sofrimento, nesses casos, permanece como algo fragmentado, difícil de compreender e ainda mais difícil de integrar.
Frankl nos lembra que o ser humano é capaz de suportar grandes adversidades quando consegue encontrar sentido naquilo que vive. Essa compreensão não elimina a dor, nem diminui a gravidade das experiências difíceis, mas pode transformá-las. Quando a pessoa passa a enxergar sua trajetória com novos olhos, o sofrimento deixa de ser apenas um peso e pode se tornar parte de um processo de crescimento, aprendizado e continuidade da vida.

O sofrimento que permanece no corpo e na memória
Na minha prática como psicóloga que trabalha com EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), encontro um diálogo muito profundo entre essa perspectiva existencial e o trabalho terapêutico.
Muitas vezes, as experiências traumáticas permanecem registradas de forma intensa no corpo e na memória, como se ainda estivessem acontecendo no presente. A pessoa pode compreender racionalmente que o evento já passou, mas emocionalmente continua reagindo como se ainda estivesse em perigo.
Isso pode gerar ansiedade, medo, insegurança e, muitas vezes, a sensação de estar presa ao passado.
Nesses casos, o sofrimento ainda não encontrou um lugar.
Ele apenas se repete.
O EMDR e a possibilidade de ressignificação
O EMDR possibilita que essas memórias sejam reprocessadas de forma segura e gradual, permitindo que o cérebro faça novas conexões e integre aquilo que antes estava fragmentado.
Nesse processo, não buscamos apagar o que aconteceu, mas permitir que a experiência encontre um lugar mais organizado dentro da história de vida da pessoa.
A lembrança deixa de ser uma ferida aberta e passa a ser uma experiência que pode ser compreendida com mais clareza e menos sofrimento.
É nesse ponto que a reflexão de Frankl ganha ainda mais sentido dentro da clínica. Quando a memória traumática é reprocessada, muitas pessoas passam a perceber aspectos de si mesmas que antes estavam encobertos pela dor: a força que tiveram para sobreviver, os recursos que desenvolveram ao longo do caminho e a possibilidade de seguir adiante.
Quando o sofrimento encontra sentido
Encontrar sentido no sofrimento não significa justificar a dor ou romantizar experiências difíceis. Há vivências que são profundamente injustas e que deixam marcas importantes.
Ainda assim, a possibilidade de ressignificação é uma capacidade humana fundamental.
Ao longo do processo terapêutico, é comum observar mudanças sutis, mas profundas. A pessoa que antes evitava lembrar passa a conseguir falar sobre sua história. Aquilo que antes provocava sofrimento intenso passa a ser lembrado com mais serenidade.
Aos poucos, a narrativa pessoal vai se reorganizando, e o sofrimento deixa de ocupar todo o espaço.
Na minha experiência clínica, percebo que, quando o sofrimento encontra um sentido — mesmo que seja o sentido de ter continuado, de ter resistido ou de ter aprendido algo sobre si — ele deixa de ser apenas dor e passa a ser também história, memória e transformação.
Talvez o sofrimento não possa ser evitado em todas as situações.
Mas ele pode ser transformado.
Por
Valéria Recio
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