
Receber um diagnóstico incurável é, para muitas pessoas, um dos eventos mais impactantes e desorganizadores da vida. Além das implicações físicas, esse momento costuma gerar intenso sofrimento emocional, ativando respostas de choque, medo, desesperança, ansiedade, raiva e luto antecipatório.
Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, o diagnóstico pode ser registrado pelo cérebro como um evento traumático, especialmente quando envolve ameaça à vida, perda de autonomia, dor crônica ou mudanças drásticas na rotina.
É nesse contexto que o EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) se mostra um recurso terapêutico extremamente relevante.
O diagnóstico como memória traumática
Muitos pacientes relatam reviver repetidamente a cena da consulta médica, as palavras do profissional de saúde e o impacto emocional imediato da notícia. Essas memórias podem permanecer “congeladas” no sistema nervoso, gerando ansiedade persistente, hipervigilância, ataques de pânico, tristeza profunda, desorganização emocional e sensação constante de ameaça.
O EMDR atua no reprocessamento dessas memórias, permitindo que o cérebro as integre de forma adaptativa, reduzindo a carga emocional associada à experiência do diagnóstico.
O que o EMDR pode ajudar a trabalhar
Em casos de diagnóstico incurável, o EMDR pode auxiliar na elaboração de choque e negação inicial, medo da morte, da dor e da dependência, luto pela perda da saúde e dos projetos de vida, sentimento de injustiça ou impotência, ansiedade antecipatória, sofrimento existencial e experiências médicas traumáticas, como internações e procedimentos invasivos.
O objetivo não é negar a realidade, mas diminuir o sofrimento psíquico associado a ela, fortalecendo os recursos internos do paciente.
Fortalecimento de recursos e qualidade de vida
Além do reprocessamento de memórias difíceis, o EMDR também permite trabalhar recursos de segurança, sensações de controle possível, experiências de vínculo e apoio, significados pessoais e momentos de paz, conexão e dignidade.
Isso contribui para que o paciente viva com mais presença, autonomia emocional e qualidade psíquica, mesmo diante de limitações físicas.
EMDR em contextos de cuidado, não apenas de cura
Em situações em que a medicina encontra limites, a psicoterapia assume um papel essencial no cuidado integral. O EMDR não substitui tratamentos médicos, mas atua de forma complementar, ajudando o paciente a reduzir o sofrimento emocional, reorganizar a experiência interna, resgatar sentido e preservar sua identidade para além da doença.
Trata-se de cuidar da pessoa, não apenas da patologia.
Considerações finais
O EMDR, aplicado de forma ética, sensível e individualizada, pode ser um importante aliado no acompanhamento psicológico de pessoas com diagnóstico incurável. Ele oferece suporte para que o paciente não permaneça aprisionado ao trauma da notícia e possa viver com mais inteireza, dignidade e presença.
Porque mesmo quando não é possível curar o corpo,
é possível cuidar da dor emocional.
Mesmo quando o corpo adoece, a pessoa continua inteira.
Se você ou alguém próximo recebeu um diagnóstico difícil e sente necessidade de apoio emocional especializado, a Psicóloga e Sexóloga Valéria Recio (CRP 08/41030) está disponível para oferecer acolhimento ético e sensível por meio da terapia EMDR.
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